Por Jornal Meio Norte
09/01/2019 19:28:31 | Atualizada em 09/01/2019 19:29:30

Wanya Sales utiliza a música como instrumento de socialização e inclusão

Wanya Sales de Oliveira é diretora da Escola de Música Dona Gal e presidente da Associação Amigos Dona Gal e desenvolve um importante papel na propagação do instrumento de transforação social de uma comunidade: a musicalização. Inaugurada em 2015, a escola realiza a inclusão social de jovens através da música, promovendo a integração familiar e refletindo positivamente nos resultados sociais, emocionais e escolares.

Em funcionamento na zona Norte de Teresina, a escola ao longo dos anos já beneficiou cerca de 1000 alunos com aulas de música gratuitas e que têm suas vidas transformadas através de ações inclusivas, permanecendo longe de situações de vulnerabilidade. A música, entre outras, características é um importante elemento de formação de identidade e construção da cidadania onde agentes multiplicadores de cultura assumem o papel de transformadores da realidade social.

A história da Escola de Música Dona Gal, começou após uma doação anônima de nove violinos enviados para casa de Wanya Sales, no Parque Alvorada. A história logo se espalhou e emocionou todo o país e, desde então, outras doações foram realizadas. Apaixonada pela arte da música, Wanya, que também é violinista da Orquestra Sinfônica de Teresina, sempre sonhou em fundar uma escola para ensinar crianças e adolescentes e após as doações o sonho se tornar real.

 

O nome da escola é uma homenagem a mãe de Wanya Sales, Maria da Graça, natural de Alto Longá e recebeu o apelido de Gal, da própria cantora Gal Costa, após conhecer a artista enquanto passava uma temporada na casa de Yara Cunha, tia de Torquato Neto, no Rio de Janeiro. Depois da morte de Torquato, dona Gal voltou para Teresina, onde teve dois filhos e faleceu nos anos 2000 aos 46 anos. A paixão pela música é está no DNA e sempre fez parte da vida de Wanya.

 

Hoje, a escola tem em seu quadro de alunos, crianças e jovens de todas as zonas de Teresina e até mesmo de municípios vizinhos como Altos, Campo Maior, Demerval Lobão, Lagoa do Piauí, Monsenhor Gil e Miguel Alves, que através das ações do projeto tem uma melhoria na qualidade de ensino e aprendizagem.

Jornal Meio Norte: Como foi sua infância e quando começou seu envolvimento com a música?

Wanya Sales: Meu envolvimento com a música foi aos quatro anos de idade quando minha mãe me colocou no primeiro projeto social que estava surgindo no bairro Parque Alvorada e se chamava 'Coral Raio de Sol', que teve a iniciativa da professora Cláudia Tenório e o apoio do prefeito Wall Ferraz, mas aos 11 anos tive que sair e já entrei em outro projeto que estava surgindo no Centro, que era o projeto Orquestra de Câmara de Teresina, com o professor Emmanuel Coêlho Maciel, que hoje é a Orquestra Sinfônica, então desde a infância a área da música era para mim uma diversão e tornou-se uma profissão.

JMN: Quais foram suas influências e referência no meio musical?

WS: A minha mãe teve uma vivência muito boa culturalmente falando, porque foi empregada na casa de Torquato Neto, poeta piauiense que morava no Rio de Janeiro. Na época, ela conheceu Gilberto Gil, Caetano Veloso, Gal Costa, no qual deu o nome a ela por terem o mesmo nome, Maria da Graça, e todas essas histórias ela me passava como educação, então, minha primeira influência foi a educação da minha mãe, depois foi a professora Cláudia Tenório, depois o professor Emmanuel Coêlho Maciel, depois o professor Aurélio Melo, atual maestro da Orquestra Sinfônica de Teresina.

JMN: Quando surge a ideia de montar a Escola de Música Dona Gal?

WS: A minha ideia é bem antiga, mais do que o projeto social. Eu brincava com as crianças do bairro de fazer coral todo final de ano com músicas natalinas, então eu usava a calçada da igreja, envolvia os pais e toda comunidade, até que essa brincadeira levou a uma doação anônima de nove violinos que chagaram na minha casa e aproveitei as mesmas crianças que eu ensinava a cantar as músicas de Natal para aprender a tocar violino e assim começou a multiplica-se, houve outras doações de mais instrumentos e cresceu até se tornar a grade Escola de Música Dona Gal.

JMN: Como é para você desenvolver o trabalho de musicalização com centenas de jovens?

WS: Para mim é uma maneira de gratidão a toda minha história, por toda minha vida que eu passei e sempre tive oportunidades através da iniciativa da minha mãe de me colocar em projeto sociais e para mim é uma resposta ao tempo de gratidão por tudo que já aconteceu comigo, então acredito muito na mudança a partir de projetos sociais, a partir do voluntário e de pessoas que querem ajudar o próximo e isso me caracteriza muito, porque fui criada dessa maneira, sendo ajudada e agora acredito que devo repassar isso. Então, ajudar famílias, crianças a terem uma oportunidade assim como eu tive é muito gratificante e é com muita honra que respondo ao tempo por tudo que me aconteceu, por todo meu destino repassando todo aprendizado a essas crianças com o apoio de amigos que também são voluntários e parceiros que acreditam na nossa ideia.

JMN: De que forma você considera que esse trabalho ajuda no desenvolvimento da cultura do Piauí?

WS: Projetos sociais podem mudar sociedades e comunidades carentes porque é uma oportunidade de diversão, trabalho e de ocupar a mente de crianças e adolescentes para não terem outras oportunidades para fazerem coisas ruins. Então esse trabalho promove o envolvimento com o professor e o aluno, carinho com a educação e a criação de um laço familiar, então é um crescimento através do aprendizado do aluno.

JMN: Quais são os maiores desafios na realização dessa atividade?

WS: Os maiores desafios são manter doadores, manter pessoas que se doam, que tiram do bolso para ser voluntário, manter uma instituição que tem gastos, mas temos grandes amigos, pessoas simples e de bom coração, que acreditam naquilo que a gente vem fazendo, na mudança da sociedade, na oportunidade que estamos dando para essas crianças e adolescentes e que ajudam a gente como podem. Nós também temos o apoio da prefeitura e do estado e assim estamos conseguindo renovar contratos e parcerias para segurar o professor em sala de aula e manter a manutenção de cada instrumento e de cada material necessário para a instituição.

JMN: Como enxerga o potencial dos jovens músicos piauienses?

WS: Eu consigo enxergar o brilho de cada ser humano, de cada criança e adolescente que só precisava ter a oportunidade. É incrível como pessoas que quando conseguem chegar a um instrumento parece com uma luva que encaixa na mão com muita perfeição e só faltava a oportunidade e me sinto muito honrada em poder ser a ponte a qual aproxima alunos de professores através do projeto social Escola de Música Dona Gal, que está aproximando talentos das oportunidades que eles precisam ter para que o mundo seja grande e ao mesmo tempo torne-se pequeno para mostrar todo conhecimento que eles têm conseguido alcançar. Em alguns dias, teremos grandes nomes alunos da nossa escola nos representando por todo o mundo

JMN: Quais os maiores desafios ainda a serem superados?

WS: Os maiores desafios ainda são os desafios diários, cada dia é um aprendizado diferente em cada necessidade que surge, então é encarar a situação, ver quais são as melhores soluções e ir atrás com firmeza mesmo sem nada nas mãos, ter a certeza de que tudo vai dar certo.


JMN: Qual seu maior sonho dentro do trabalho que realiza?

WS: Os nossos limites são justamente ir atrás de pérolas e dar oportunidades a essas pessoas, meu maior sonho é poder alcançar a necessidade das pessoas que precisam da oportunidade de ter como mostrar o seu talento. Crianças e adolescentes que estão com os caminhos traçados através do nosso projeto, com certeza, irão ser mostrados através dessa oportunidade e vão crescer, então o nosso maior sonho é crescer ao ponto de alcançar cada criança e adolescente que queira ter essa oportunidade, termos sede própria na nossa comunidade que é o próximo passo que teremos, além disso termos extensão para outros bairros e municípios e continuar crescendo para alcançar a todos que precisam e até onde esteja o nosso limite, portanto está tudo nas mãos de Deus. Eu agradeço pelo espaço e quero colocar essas respostas em homenagem em cada voluntário que se doa pela Escola de Música Dona Gal e dedico também para cada professor e colaborador do nosso projeto social que tanto se dedica e também com muito carinho agradeço a cada voluntário doador que nos ajuda a manter o projeto da maneira como podem. Esses estarão sempre recebendo a minha gratidão e peço sempre a Deus que vos der muita saúde e uma vida longa.

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