Por Cinthia Lages
12/05/2019 16:48:47 | Atualizada em 14/05/2019 20:43:32

Viajar é preciso!

A boa viagem é aquela fiel ao nosso momento! Acredito ser esta, a primeira condição para viver plenamente  as emoções que a descoberta de novos lugares, pessoas, costumes,história,arte e cultura proporciona ao viajante. O meu momento pedia uma  viagem sem muitas amarras mas dentro dos meus limites alguns portos seguros. Escolhí a Itália, onde eu havia estado há mais de 25 anos, refazendo praticamente mesmo roteiro. Na época, era casada e a opção foi por  passeios pré-agendados.Nada poderia dar errado! E não deu mesmo! Dessa vez, quis experimentar a liberdade de escolher onde, quando e como ir. Ou não ir, se mudasse de idéia!  Ou ficar mais dias,se assim desejasse! Contei com a ajuda de amigos que têm uma agência de roteiros (obrigada @unique_travels2018) e ela foi importante para otimizar o tempo, levando em conta a localização geográfica, e também pelas sugestões de hospedagem, passeio e locomoção. Tudo isso me permitiu aproveitar melhor os 20 dias. Comecei por Roma porque queria ver e ouvir o Papa Francisco. Foi a primeira coisa que fiz, logo cedo, após a chegada por volta das 2h (com acomodação e todo o resto, fui dormir às 4h e às 6h já estava de pé!). Tinha ingresso para a audiência pública na sala San Paolo, onde o papa recebe fieis do mundo todo e podemos assistir uma celebração. Nesse dia,ele falou sobre o amor entre os povos e a necessidade de sermos mais solidários e tolerantes com as diferenças. Foi mágico! E foi quando eu soube que teria dias maravilhosos pela frente! Dois dias  depois, estava em Nápoles testemunhando a neve e alertas de ventos fortes. Nada que atrapalhasse o passeio pela costa amalfitana – onde espero voltar, para contemplar por mais tempo tanta beleza e poesia. Acatei os conselhos dos napolitanos e não foi à Pompeia devido ao mau tempo.Um motivo a mais para retornar à terra da pizza ( sim, tem a paradinha na Pizzaria Michele de Comer, Rezar, Amar). Próxima parada Veneza, que é muito mais do que apenas um encontro de casais apaixonados! Foi mais emocionante ouvir o gondoleiro cantar um ‘Oh sole mio’, sentada no cais, com o sol iluminando meu coração. Iria embora no dia seguinte mas passei pelo Instituto Musical e vi o cartaz de uma apresentação de integrantes da Orquestra Sinfônica no dia seguinte. Comprei o ingresso e acrescentei uma nova diária. Todos os hotéis e guest houses que me hospedei foram reservados pelo Booking. Estar atenta aos filtros de localização (como chegar!), comodidades (como o banheiro privativo, que nem sempre vem incluído!). O concerto foi uma daqueles momentos para guardar na memória. Sobre Veneza, não se deixe influenciar pelo mau humor de quem sempre encontra defeitos nas viagens que faz – não é nada do que dizem : “cara”, “não tem nada pra fazer”, “hotéis sujos”. Abra a mente e aproveite o transporte naval ( um plus da cidade!). Conheça Burano e Murano sem medo – você não faz se arrepender de estar entra aquelas casas coloridas, nem de parar num dos restaurantes despretensiosos que servem delícias de frutos do mar!
Pronta para voltar aos trilhos! O trem foi o meio de transporte preferido no deslocamento de uma cidade para outra. Comprava o bilhete na própria estação central de cada cidade, quando decidia o destino. É muito fácil e prático fazer isso e ainda tem opções de escolhe entre a Trenitalia e a Italo. Decidí ir à Tirano, uma cidadezinha no sul, fronteira com a Suiça, de onde sai o trem Bernina Express, que percorre Ferrovia Rética,  patrimônio da humanidade reconhecido pela UNESCO. Cada trecho dura cerca de  2 horas,período em que o  passageiro divide-se entre a paisagem natural divina dos Alpes e a obra da Ferrovia, que inclui 55 tuneis, 196 pontes e viadutos que chegam a 2253 m acima do nível do mar. O meu destino era Saint Moritz, famosa pela prática de  esqui e, para mim, pela sopa de tomate com coco que eu certamente não esquecerei jamais!

 

Verona, Florença, Siena e Milão também estiveram no meu roteiro! A cidade de Julietta é uma Milão no quesito elegância. Mas a visita à suposta casa da personagem de Shakespeare é o que motiva tantos turista –  encontrei poucos brasileiros nesta viagem ( o que  me chamou a atenção!) e a maioria deles, foi em Verona. Na cidade, não deixe de visitar a Arena e desafie-se,como eu, que tenho medo de altura, fiz. Suba os degraus e aprecie a imponência da arquitetura do local, onde, à exemplo do Coliseu, aconteciam duelos e mortes. Sempre evito restaurantes ‘turísticos’ pois geralmente têm a comida ruim e são caros. Mas abri exceções, ao tomar um prosecco olhando o Coliseu e um Bellini na praça da Arena.

 

À essa altura, eu já queria fantasiava morar em todas essas cidades, ir de bicicleta para o trabalho, sentir o friozinho no rosto, o movimento nas ruas, os bares cheios de gente que julgamos tão felizes por terem acesso a uma qualidade de vida que parece tão distante em cidades brasileiras,cada vez mais sufocadas por carros em excesso e ausência de cidadania. Esse sentimento ficou ainda mais forte em Florença – pela beleza das obras de arte e Siena, pela delicadeza das ruelas que circundam a pequena cidade e, como numa armadilha do bem, nos levam ao Palio, arena aberta e ponto de encontro dos moradores da cidade. Nesse dia, a temperatura subiu para 17°, deu para tirar o casaco e curtir a trégua do inverno. Milão já não oferece a mesma receptividade de quando a visitei pela primeira vez. O Exército nas ruas, o policialmente reforçado, os conflitos com migrantes já nos esperam na saída da linda Estação Central. Uma tensão que eu já havia percebido nas cidades maiores, onde carros blindados estão na frente dos Monumentos e guardas dentro das Igrejas. Em cada patrimônio, onde existe aglomeração, lá está uma tenda do Exército italiano. O medo de atentados ronda a Europa e quem viaja para lá, precisa estar consciente disso!

Eis que chega o dia de voltar!
 

“Foi a melhor viagem da minha vida”, reflito ao olhar as fotos com muita calma, nas 9 horas de vôo entre Milão e Fortaleza, minha escala antes de chegar em Teresina Mas eu sempre faço isso! Sempre dou a nota mais alta para a última viagem, mas só até chegar a próxima que, certamente, será ainda melhor com o aprendizado e as experiências que ajudam. E quanto antes encontrar o roteiro seguinte, melhor fica a vida!

 

Dicas com base nos meus erros!

Os italianos preferem que você fale Português do que inglês. A Língua espanhola é ainda mais difícil de compreender para eles.
Evite os taxis nas estações de trem.Eles nunca usam o taxímetro e adotam uma “taxa mínima” de 10 euros. Mesmo se o hotel for na esquina ( e você não se deu conta disso!)

Esqueça os clichês: Itália não é só massa. E não é ofensa buscar opções vegetarianas ou veganas em saladas deliciosas.

Após comprar o seu bilhete ferroviário, nunca embarque sem validar nas máquinas que ficam sempre na entrada da plataforma onde vai sair o seu trem. Quem esquece, corre o risco de pagar multa, muitas vezes maior do que o valor pago. E não tem conversa!

Se você tem pouco tempo e um local certo para ir, não se acanhe de procurar se informar sobre ônibus locais e seus trajetos.

 

 

 

 

 

 

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