Por Jornal Meio Norte
22/02/2019 10:06:50 | Atualizada em

Rainha da Mangueira será a piauiense Esperança Garcia na Sapucaí


Com o enredo 'Histórias para Ninar Gente Grande', onde dá voz a personalidades históricas que não são lembradas com frequência nos livros, a Estação Primeira de Mangueira homenageará Esperança Garcia na Marquês de Sapucaí, reconhecida como a primeira advogada negra do Brasil . Neste sentido, caberá a rainha de bateria da agremiação Evelyn Bastos representar essa mulher forte do Piauí, que deu voz aos excluídos e ficou marcada para sempre no Estado. "A fantasia foi bem simbólica. A ideia não era abordar apenas a questão do racismo, queria falar com todas mulheres sobre assédio; trazer coragem e esse exemplo de força. Sabia que iria tocar as pessoas. E escola de samba, na verdade, é escola de vida. No desfile, vou interpretar outra escrava, Esperança Garcia, a primeira mulher advogada do Piauí. Ao contrário do ano passado, em que usei um look econômico feito de vidro e tule, surgirei na Marquês de Sapucaí como rainha. Nada será simples. Esperança e todas nós merecemos essa homenagem", disse a rainha em recente entrevista ao Jornal O Globo.
O enredo da agremiação conta a versão extraoficial de personagens e da História do Brasil, lembrando heróis esquecidos ou desconhecidos. No ensaio técnico da escola de samba, Evelyn representou a escrava Anastácia, com correntes e mordaça. "A escrava que marca a força feminina contra o assédio moral e sexual. A mulher que tornou-se objeto do desejo e obsessão do feitor da sua fazenda. Por nunca ter aceitado o assédio do rapaz, foi violentada e condenada a viver com uma máscara no rosto, que era retirada apenas para comer... Quantas Anastácias vivem com suas mordaças invisíveis defrontando com o assédio sexual, moral e psicológico? Convivendo com o racismo e desrespeito a cor da nossa pele? Em um período tão cruel e difícil, a escrava não fraquejou! A moça negra de olhos azuis marca tua história com bravura, resistência e muita fé! Anastácia vive em nós! O Quilombo, a favela tem voz Amordaçaram, não calaram! Não vão nos silenciar", disse a rainha de bateria.

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