Por Cinthia Lages
15/01/2019 17:13:49 | Atualizada em 16/01/2019 07:24:08

Racismo é crime - também na Internet

Não basta apenas criticar! Não é suficiente "apenas" desmerecer a arte e usar de deboche para expor sua opinião na rede social! Tem que ser racista! Mulher e racista! Mulher, racista e criminosa. E não apenas uma mas três! Assim, como muita negras, Luiza Amélia, Mestra em dança pela Universidade Federal da Bahia , especialista em Estudos Contemporâneos em Dança também pela UFBA e em Cultura Visual e Metodologia de Ensino das Artes ( UFPI ).  Graduada em Artes Visuais pelo Instituto Camilo Filho. Coreógrafa e bailarina. Apaixonada por Dança e uma das principais multiplicadoras da Arte no estado. O currículo está aí para mostrar que não importa onde você chegue, se a cor a sua pele é escura, você sempre será vista como escrava que "merece 20 chibatadas". Em aspas, o comentário racista da mulher numa foto postada por Luzia Amélia, durante uma apresentação protesto nas escadarias do Palácio da Cidade. A bailarina participou de outras ações de destaque, como a que reuniu artistas e estudantes num manifesto contra os feminicídios e a impunidade dos criminosos, no Palácio de Karnak. Naquele dia, também houve a simulação do banho de sangue, uma característica das manifestações. Desta vez, a causa, igualmente nobre - a defesa da resistência dos moradores do Entorno do Parque Lagoas do Norte. Após o registro numa rede social, Luzia Amélia teve seu post compartilhado pelo perfil de uma mulher, enquanto outras duas fizeram comentérios preconceituosos e racistas. O caso foi registrado na Delegacia de Crimes  Virtuais. O advogado João Paulo da Silva, que acompanha a  denúncia,  registrou boletins de ocorrência pelo crime de racismo contra as três pessoas envolvidas, que devem ser intimadas a prestar depoimentos. Mesmo a liberdade de expressão não é passaporte para outros crimes previstos pelo Código Penal brasileiro - o racismo é um deles. E não é mimimi de sociedade esquerdopata,como talvez possa imaginar a autora do crime, cujo perfil, exibe cores do Brasil e a preferência política pelo conservadorismo da extrema-direita. Não! A Lei  nº 7.716, que define os crimes de racismo, foi assinada no dia 5 de janeiro de 1989, sancionada pelo então presidente José Sarney. Eis a definição: “ crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. Ou, ainda: "impedir o acesso de uma pessoa devidamente habilitada a um cargo público ou negar emprego na iniciativa privada. Também são tipificadas como crimes ações como impedir inscrição de aluno em estabelecimento de ensino, recusar hospedagem em hotel ou similar, recusar atendimento em bares ou restaurantes e até recusar atendimento em salões de beleza. 
-Ah,mas a Internet é um território livre"
Não, não é! Nem no Brasil, nem em qualquer outro país do mundo, a lei de Mark Zuckenberg se sobrepõe aos códigos penais, conjuntos de normas que rege o Direito Penal. Racismo é inafiancável, não esqueçam! Pena: 2 a 5 anos de reclusão!
-Ah, mas eu não disse nada demais. Nem tive a intenção!
Sua intenção, você guarda para você mesma! Essas subjetividades não funcionam após as provas - no caso, prints, que não trazem nenhum indício de que alguém te obrigou a teclar aquelas palavras preconceituosas. E, por ser crime, deve ter o devido tratamento! Por isso mesmo, que Luzia Amélia, a Mestra, a especialista, a coreógrafa, a bailarina, a avitista, a cidadã, foi, de cabeça erguida e resistente como a primeira Luzia ( aquele que resistiu ao fogo) fazer o que qualquer brasileiro deve fazer: denunciar!
Luzia Amélia? Me representa demais!
 

 

 

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