Por Cinthia Lages
12/01/2019 01:22:26 | Atualizada em 12/01/2019 01:33:52

Projeto que estimula leitura de escritoras negras ganha prêmio internacional

A escrita de mulheres negras no Brasil como forma de empoderamento feminino! Tema do projeto coordenado pela professora Márcia Costa, do Instituto Federal do Maranhão (IFMA), Campus de Buriticupu com as estudantes de cursos técnicos Ana Caroline Ribeiro, Gabrielle Ferreira,Isabel Paz,Layla Camile Lopes e Thamires Barbosa Araújo. A literatura produzida pelas escritoras se apresenta como  uma forma de libertação e resistência, através de personagens que levantaram questões sobre o racismo, o preconceito e os estereótipos historicamente construídos e consolidados sobre os povos de matriz africana, especialmente, sobre as mulheres negras do Brasil. As escritoras selecionadas para o estudo foram  Maria Firmina dos Reis (Romance “Úrsula”, 1859), Maria Carolina de Jesus (Romance autobiográfico “Quarto de despejo”, 1960), Ana Maria Gonçalves (Romance “Um Defeito de Cor”, 2007), Conceição Evaristo (Contos “Insubmissas lágrimas de mulheres”, 2011) e Jarid Arraes (Cordel “As heroínas negras”, 2017). Durante a pesquisa, as  alunas consideraram a trajetória pessoal e pública das autoras e as  personagens das  obras produzidas. E já são muitos os desdobramentos da pesquisa que começou dentro da sala de aula e já rompeu as fronteiras do país. Depois de premiado no  Congresso Norte e Nordeste de Pesquisa e Inovação – XII CONNEPI ,ocorrido em  Recife (PE), o grupo também foi selecionado para apresentação do projeto no II Simpósio Internacional de Investigações qualitativas promovido pela  Facultad de Humanidades Universidad Nacional del Nordeste , em Chaco / Corrientes, Argentina.

O trabalho também inspirou a criação do  Coletivo “A escrita insubmissa de Mulheres Negras”, um grupo feminista, politico e literário composto por jovens pesquisadoras, a partir da experiência intelectual e de luta de mulheres negras. O Coletivo propõe “transformações no cotidiano, na vida e na comunidade”, diz a professora. Uma das ações é a produção de fanzine e outros materiais autorais.

“Todas as escritoras que deram origem ao  Coletivo são mulheres do seu tempo que enxergaram para além da época em que viveram. Ao estudá-las compreendemos que expressaram uma época ao tempo que devemos perscrutar os escombros e silêncios sobre os quais elas foram constitiuídas”, acredita.  A organização coletiva de meninas no grupo possibilitou exercitar a prática da sororidade, a discussão literária e política entre mulheres e dá visibilidade às  denúncias das muitas formas de  violências contra as mulheres, dentre elas o estupro e o assédio. Dentro da escola, as pesquisadoras tornaram-se monotoras do projeto pré-Enem, preparatório para o Exame Nacional do Ensino Médio, auxiliando outros estudantes

Conheça as histórias mais inspiradoras de mulheres como você, que conquistaram seu espaço de trabalho, com muita luta e amor pelo que fazem.