Por Cinthia Lages
05/09/2019 16:57:08 | Atualizada em 05/09/2019 17:03:58

Por que as assistentes virtuais são sempre femininas?

Morena, cabelos longos e ondulados, boca carnuda,Teresa é a mais nova assistente virtual criada para o atendimento eletrônico da Secretaria de Fazenda, que torna-se o primeiro órgão público do estado a investir em inteligência artificial para melhorar a comunicação com os contribuintes. A missão de Teresa tirar dúvidas dos cidadãos, informando se ele foi sorteado no concurso Nota Fiscal Piauiense ou se está devendo alguma parcela do IPVA. O aplicativo está disponível no Google Play e Android

Imagem da captura de tela

 O nome da assistente virtual da Sefaz  faz alusão à  Teresina, capital piauiense cujo nome da homenageia a  imperatriz Teresa Cristina Maria de Bourbon.  O Editor de vídeo e design Elionardo Braga ficou responsável pela ilustração que adotou feições definidas através de estudo que o marketing sobre” a caracterização predominante da mulher piauiense” Ou seria a mulher dos sonhos dos homens piauienses? Teresa, Bia,Magalu, a inteligência artificial tem voz e imagem femininas.

O padrão já era adotado para tecnologias criadas com o objetivo de auxiliar os usuários de dispositivos eletrônicos: Siri, Cortana, Google Assistant e Alexa. Um estudo da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, o motivo dessa escolha é que vozes de mulheres são mais acolhedoras. Um outro estudo,  realizado pela Universidade de Standford, revela que a preferência por vozes masculinas ou femininas depende do assunto. Se for para aprender sobre computadores, os usuários preferem a voz masculina. Se o tema é amor e relacionamentos, as vozes femininas são preferências. O público consultado era formado por homens e mulheres. Os resultados apontam para a repetição machistas de que mulheres são mais indicadas para funções subservientes. No caso das assistentes virtuais, elas existem apenas para seguir aos comandos dos usuários.. “Se vamos viver em um mundo no qual sairemos dando ordens casualmente às nossas máquinas, por que tantas delas precisam ter nomes de mulher?”, indaga Adrienne Lafrance, editora do site da revista The Atlantic, em uma reportagem publicada em março de 2016. A editora acrescenta que os  criadores são majoritariamente homens.Ela acredita que , “isso reflete o que alguns homens pensam sobre mulheres – que elas não são inteiramente humanas”, ela trata disso em seu livro “Anthropology of Robots and AI: Annihilation Anxiety and Machines” (Antropologia dos robôs e Inteligência Artificial: ansiedade de aniquilação e máquinas, em tradução.
  
  Em relatório publicado em maio, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) denuncia o uso de estereótipos sexistas na elaboração das assistentes virtuais. Para isso, baseou-se numa resposta a pergunta machista, dada pela Siri: “ eu ficaria vermelha, se pudesse” quando, por exemplo, era descrita como prostituta por usuários do sexo masculino.  Algumas respostas das assistentes são propositalmente sensuais e cheias de flerte: "O mundo precisa prestar mais atenção para como, quando e se as tecnologias de inteligência artificial representam um gênero e, crucialmente, quem está lhes conferindo esse gênero", declarou Saniye Gulser Corat, diretora da Unesco para igualdade de gênero.

O relatório recomendou que as empresas evitem que os assistentes digitais sejam femininos por default, explorando opções neutras em termos de gênero e programando os assistentes para desencorajarem insultos sexistas e linguagem insultuosa.

 

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