Por divulgação
23/01/2019 14:19:10 | Atualizada em 25/01/2019 09:00:10

PNUD lança projeto de empoderamento de jovens no Piauí

Principais vítimas de feminicídio e de mortalidade materna, as mulheres jovens também são as que mais sofrem com o desemprego e a sobrecarga de trabalho não remunerado no país.

Na tentativa de reverter esse quadro no Piauí, o projeto “Mulheres Resilientes = Cidades Resilientes”, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), desenvolverá nos próximos meses iniciativas para o empoderamento econômico e a autonomia financeira de mulheres piauienses com idade entre 18 e 29 anos.

A previsão é de que o trabalho seja realizado em cinco áreas: educação para o trabalho e inclusão produtiva; enfrentamento à violência contra as mulheres; promoção da saúde das mulheres; melhoria da transversalidade de gênero nos equipamentos públicos; políticas de cuidados para redução da sobrecarga de responsabilidades concentradas nas mulheres.

As ações serão realizadas em cinco municípios da região metropolitana de Teresina — Teresina, Demerval Lobão, Nazária, José de Freitas e Timon (o último, no Maranhão) — e têm como base esforços de diagnóstico feitos pelo projeto na região, que identificou desafios e possíveis soluções.

Juntas, as cidades abrigam 1,05 milhão do total de 1,25 milhão de habitantes da região metropolitana de Teresina, o que afeta positivamente todo o território e colabora para a redução da pobreza. O governo do estado e as prefeituras das cinco localidades são parceiros do PNUD na implementação do projeto.

Na última semana, a oficial de gênero e raça do PNUD Brasil, Ismália Afonso, esteve em Teresina para reafirmar a parceria com os poderes públicos locais e apresentar as consultoras do projeto à Secretaria de Planejamento do estado, às prefeituras dos cinco municípios e à Secretaria Municipal de Políticas Públicas para Mulheres de Teresina (SMPM).

Ismália relatou que as consultoras do projeto são especialistas com vasta experiência no Piauí e que já estão trabalhando para elaborar sugestões de intervenção em políticas públicas mais rápidas e eficazes para fazer avançar o empoderamento econômico de jovens mulheres.

“Essa iniciativa tem o papel de construção de políticas públicas de igualdade de gênero junto com o poder público e a sociedade civil por meio de aporte técnico. A ideia é que essas ações sejam aplicadas dentro dos mecanismos de planejamento das prefeituras e do governo do estado, como o Plano Plurianual, a Lei Orçamentária Anual e a Lei de Diretrizes Orçamentárias”, disse a oficial.

De acordo com o prefeito de Teresina, Firmino Filho, a prefeitura prestará apoio ao projeto. “Essa parceria é interessante para garantir a longevidade do que for realizado. Será um prazer começar a iniciativa aqui na capital para, no futuro, servir de modelo para todo o país”, afirmou.

A gestora da SMPM, Macilane Gomes, lembrou que as políticas de gênero “não impactam só as vidas das mulheres, mas de toda a sociedade e do desenvolvimento econômico e social da cidade”.

Metodologia de Combo

O projeto adota a chamada metodologia de Combo, que é baseada na abordagem multidimensional dos problemas, em vez de intervenções fragmentadas e setoriais. É por isso que, apesar de ter foco no empoderamento econômico, a estratégia não atua somente no tema do trabalho ou da formação para o mercado.

“A gente entende que, se as mulheres são vítimas de violência de gênero, isso dificulta a saída delas do ambiente doméstico para estarem disponíveis para o trabalho. Se elas não tiverem uma saúde integral, elas não conseguem se manter ativas para o trabalho”, explicou Ismália.

Nesse caso, a metodologia será aplicada em cinco etapas: elaboração e aplicação de ferramentas para diagnósticos dos problemas no nível municipal; identificação e desenho de intervenções aceleradoras do alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) nos municípios; elaboração de plano de trabalho e estratégia de mobilização de recursos para implementação das ações de gênero em nível municipal; fortalecimento das capacidades dos municípios para integrar os ODS nos documentos de planejamento e orçamento locais; e desenvolvimento de um protótipo para monitoramento online da implementação das ações planejadas.

Do site ( onu.org.br)

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