Por Jornal Meio Norte
30/01/2019 12:16:01 | Atualizada em

Mulheres na tecnologia: o empoderamento feminino na programação

 

No século XIX, a matemática Ada Lovelace entrou para a história ao escrever o algoritmo que fundou as bases da ciência da computação. Quase duzentos anos depois, soa até irônico lembrar a importância de Ada para a tecnologia e encarar os dados que revelam a falta de participação de mulheres no setor. Segundo a pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), dos mais de 580 mil profissionais da T.I que atuam no Brasil, apenas 20% são do sexo feminino.

Para mudar a realidade e a hegemonia masculina no mundo da ciência e tecnologia, vários projetos veem já na inclusão digital um importante mecanismo para apresentar, engajar e aumentar o envolvimento das mulheres nesse nicho, um deles é o PyLadies, um grupo internacional com sedes por todo o mundo e que atua no empoderamento de mulheres na tecnologia usando o código aberto Python.

O grupo recebe mulheres sem distinção alguma e as incentiva a buscar seu espaço no mercado de computação, uma área predominantemente masculina. Um dos objetivos é buscar o espaço da mulher em uma área considerada machista. A ideia surgiu quando houve a Python Nordeste em Teresina - um evento lotado de homens, onde haviam apenas 10 mulheres.

“Luiza, você está atenta”

Na capital piauiense, não havia nenhum grupo para empoderamento feminino na tecnologia e elas foram as primeiras a começar este trabalho. Com a proposta de mostrar como a área de tecnologia da informação pode ser hostil com as mulheres, as meninas do PyLadies Teresina adaptaram o meme “Luiza, você está atenta”, em que falam da participação feminina na área e do machismo no mercado de TI. O post viralizou. A proposta foi mostrar, de forma descontraída, a história das mulheres na computação, pois muitas pessoas não conhecem. E mostrar que elas podem continuar fazendo história na tecnologia.

“O grupo é uma iniciativa internacional, chegou no Brasil há 5 anos, em Natal. Aqui em Teresina o grupo se formou em junho de 2016, para isso fizemos várias chamadas em diferentes redes sociais, em grupos de universidades. Explicando o que era o Pyladies e a mulher que se interessasse podia entrar em contato na nossa página. Tivemos várias respostas, mulheres de várias áreas de atuação, criamos um grupo no Telegram e começamos a dialogar”, revela a estudante de Física, Ana Maria Gomes, de 24 anos.

Além de Ana Maria, fazem parte da coordenação do grupo em Teresina, organizando eventos, oficinas, cursos e demais atividades, as contadoras Bruna Soares e Valeska Uchôa, ambas de 24 anos, a analista de sistema de informação Gislene Vanessa, 25 anos e a arquiteta Isabela Nascimento, 26 anos. “O principal objetivo do grupo é incentivar a participação de mulheres nas áreas de tecnologia. Levando a elas conhecimentos e representatividade”, acrescentou Ana Maria.

Projetos para 2019

Para 2019, tem muita coisa boa chegando. Uma nova edição do Django Girls; Maratona de programação para mulheres e meninas; II Semana da mulher na tecnologia de Teresina; Oficina para mães em maio; Novos eventos em Parceria com o Teresina Hacker Clube; Um meet-up para assistir e debater documentários sobre a participação da mulher na área e muito mais.

“Nossa agenda é uma pauta em aberto, ou seja, ainda podem surgir novas ideia e parcerias. E queremos deixar o convite, a mulher que quiser participar e colaborar com nossos eventos em 2019 é muito bem-vinda”, destacaram as integrantes do grupo.

O PyLadies Teresina, atua para fazer com que essas ações se tornem uma ação fixa do grupo e possa levar para dentro das escolas trabalho de inserção no mundo da tecnologia, trabalhando da base esse novo conceito sobre o mundo tecnológico.

Conheça as histórias mais inspiradoras de mulheres como você, que conquistaram seu espaço de trabalho, com muita luta e amor pelo que fazem.