Por Jornal Meio Norte
06/05/2019 11:24:10 | Atualizada em

Juliana Fiúza: Liberdade, paz e felicidade através do yoga

Juliana Fiuza, 31 anos, é nascida em Teresina, formada em Direito e professora de yoga internacional. Conheceu o yoga quando tinha 20 anos de idade e sempre gostou muito de ler e por causa dessa paixão  acabou lendo os livros da cultura indiana que são também base do Yoga: Upanishads e Bhagavad Gita.  

Mas foi só em 2015 que fez um curso de formação para professores. Neste mesmo ano, em outubro, acabou conhecendo um professor tradicional que estudou durante muitos anos na Índia. Este encontro foi um divisor de águas na sua vida. Desde então, começou a aprofundar seu conhecimento com ele - e pôde realmente começar a compreender o que o yoga quer ensinar.

Com certificação de uma organização internacional e especialização pelo governo da Índia, a professora já trabalhou na Índia, Tailândia, em Dubai, em Portugal e pretende levar suas experiências para muitos outros lugares do mundo. Recém-chegada ao Brasil, Juliana vai adaptando sua rotina de acordo com suas viagens. Mas o que nunca falta? Pratica de yoga, meditação, dança e uma alimentação rica em legumes, vegetais e frutas.

Juliana também costuma compartilhar sua rotina com seus seguidores através do seu perfil no Instagram (@ju.yogini), assuntos relacionados ao yoga, misticismo e a importância da energia sexual para o funcionamento do corpo, além de dança clássica indiana, música e outros assuntos relacionados exclusivamente às mulheres.


 Quais os benefícios do yoga?

Juliana Fiuza: O principal objetivo do yoga é nos libertar dos sofrimentos que infligimos a nós mesmos. As limitações que nos pressionam, de nos cobrarmos para sermos diferentes do que somos para sermos felizes, de cobrar do mundo que ele seja diferente para sermos felizes. Para nos libertar das nossas culpas. O principal objetivo do yoga é permitir que você encontre paz e felicidade na sua vida agora. E com isto ele vai curando o corpo, a respiração, a nossa relação com a comida, a nossa relação com as pessoas, com o mundo.

Como se tornou a professora de yoga internacional? Como funciona esse trabalho?

JF: Ser professora de yoga internacional para mim é poder desenvolver meu trabalho em qualquer lugar do mundo onde eu esteja. Tenho certificações pelo Yoga Alliance (cursos que fiz na Índia), que é uma organização internacional, mas também tenho especialização certificada pelo próprio governo da Índia. Também tenho certificado de uma escola Taoista na Tailândia. Isto tem me aberto portas. Trabalhei na Índia, na Tailândia, em Dubai, em Portugal e, com certeza, vou trabalhar em muitos outros lugares do mundo.

 Quais as outras atividades desenvolve?

JF: Eu amo escrever. E escrevo muito paro meu Instagram (@ju.yogini). Já participei também de filmes, escrevendo a narração de um deles, inclusive. Meu objetivo é me dedicar mais a minha escrita, a minha expressão, a minha comunicação. Yoga não é apenas se alongar e meditar. O fundamento do yoga é sua parte filosófica e gosto muito de ensiná-la também. Tenho uma relação muito profunda com a dança e a música também. Então costumo englobar isto em alguns trabalhos que faço só para mulheres.

 Como tem sido sua rotina atualmente?

JF: Eu cheguei no Brasil há um mês. Antes estava em Portugal e antes disso na Índia. Eu vou adaptando minha rotina de acordo com minhas viagens. Mas o que nunca falta? Prática de yoga, meditação, dança e uma alimentação rica em legumes, vegetais e frutas. A escrita também está sempre presente na minha vida, quem me acompanha nas redes sociais sabe que eu escrevo muito, gosto de textão, sinto que tenho muito a dizer. Eu trabalho muito através do computador também, por Skype, dou aulas para vários lugares do mundo. Estou organizando também aulas e eventos aqui em Teresina e em outras cidades.

 Qual sua filosofia de vida e o que costuma compartilhar com seus seguidores?

JF: Eu não acho que tenho uma filosofia de vida própria. Porque aquilo que eu ensino muitos mestres da terra nos ensinaram e nos ensinam. Então como dizer que é minha filosofia? Na verdade, se tem algo que eu gosto de abrir mão é desta sensação de que algo é “meu”. Eu estou em constante aprendizado, crescimento, desenvolvimento, contemplação. Eu posso resumir, com muita audácia, a filosofia dos mestres assim: a luz já brilha no seu coração, compartilhe-a com o mundo e veja sua vida florescer. E é isto que eu busco ensinar pra quem cruza meu caminho: você tem muito a dar pra este mundo, você não precisa caminhar pelo mundo esperando que ele dê tudo a você como se você fosse um mendigo. Se você observar bem o mundo já lhe dá tanto, você nem mesmo percebe. Só de estar vivo, com saúde, podendo ler estas letras, sabe? Isto já é tao valioso. Mas as pessoas passam a vida inteira correndo de um lado pra outro querendo ser felizes: mendigando a felicidade em objetos, carros, casas, roupas novas, viagens. Mas isto não pode te dar felicidade, porque tudo isso é passageiro. Então onde esta a felicidade? Onde esta essa luz? Essa paz? Elas estão em você. Você não está aqui para mendigar nada, mas para compartilhar sua luz com o mundo.

Você também tem uma ligação com o misticismo. Como a prática ajuda no equilíbrio do corpo e da mente?

JF: As experiências misticas, profundas, onde me senti abarcada por Deus, pelo universo, por esta grande inteligência que tudo permeia, sempre fizeram parte da minha vida. Mas a verdade é que só experiências não te ajudam muito. A experiência vem, te impressiona, te toca, mas ela vai embora. Se você confiar só em experiências, sempre estará conectado com o passado. Mas Deus está presente a todo momento. Não é uma questão de ter uma experiência. Por isso que existe uma diferença entre o sábio e o místico: o sábio tem conhecimento então ele sempre fala daquilo que é. O místico teve experiências então ele fala daquilo que foi. Se falo daquilo que é, é algo disponível a todo momento, que posso acessar a todo momento e não algo que vai acontecer só em determinada circunstância. Deus não precisa de circunstância nenhuma.

Você costuma compartilhar com seus seguidores assuntos relacionados sobre a prática sexual. 
Como isso iniciou? Deseja se tornar terapeuta sexual? O que costuma abordar?

JF: Não costumo me ver como uma terapeuta sexual. Na verdade eu não costumo usar pra mim o nome terapeuta. Eu sou uma professora. Por circunstancias da minha vida, da minha jornada, eu tive oportunidade de estar na presença de grandes professores, da tradição Vedica (hoje reconhecida como Hindu) e da Tradição Taoista e tive oportunidade de aprender sobre as capacidades do ser humano. Sobre aspectos nossos que hoje até mesmo as pesquisas científicas revelam como fundamentais para a manutenção da nossa saúde. A ciência avançou muito e hoje se tem conhecimento da importância da energia sexual para todo o funcionamento do corpo. A energia sexual é responsável por gerar um novo indivíduo, mas também é a energia que replica o nosso DNA e as nossas células!! Isso não é incrível? A partir do momento que essa energia começa a declinar no corpo humano, o envelhecimento começa a acontecer. O corpo perde a capacidade de replicar as células com toda a energia, com todos os elétrons, digamos assim, e vamos literalmente definhando, nos tornando secos, nos apagando. E existem formas de retardar este processo se você aprender a respeito. As pessoas que vem estudar sobre sexo comigo e acham que tem a ver apenas com prazer descobrem que tem a ver também com o funcionamento dos nossos órgãos, por exemplo, e isto leva o estudo para outro patamar.

 O que busca fazer para ter crescimento pessoal e intelectual?

JF: Eu estou sempre em contato com meus professores de alguma forma. Assisti muitas aulas durante os últimos 4 anos. Hoje sou alfabetizada em sânscrito e tenho conhecimento sobre alguns dos textos que são a raiz do yoga, os textos mais antigos da humanidade, chamados Vedas. Estudo dança clássica indiana, a forma de dança mais antiga do mundo, e isso me faz entrar em contato com uma sabedoria ancestral de movimento do corpo. Estas danças ate hoje são feitas nos templos na Índia, numa tradição que remonta a milhares de anos e que sempre serviu como forma de elevar o espírito, a mente, da comunidade. Isso alimenta, nutre. Passo por processos de silêncio, de meditação, mas também procuro exercitar o amor, a compreensão, a escuta, onde eu chego. Isso me deu uma visão mais profunda e mais firme sobre o Yoga, sobre o que é viver uma vida de yoga. A convivência com os professores também foi determinante. Porque a gente vê como as pessoas que tem o conhecimento são, como vivem suas vidas. Isso pra mim é inspirador e desafiador também. Eu gosto muito de peregrinações. Acho um momento muito importante da vida de uma pessoa que busca se desenvolver. Peregrinar não é simplesmente caminhar, mas ir pra lugares no mundo que as pessoas sempre usaram como divisor de águas em suas vidas, marcador de fases. Peregrinação só é verdadeira quando ha mesmo esta intenção de ir leve, tendo resolvido assuntos pendentes, como quem vai sabendo que pode não voltar. Já peregrinei no Sul da Índia, também no norte, nos Himalaias, nas montanhas da Tailândia e tenho sentido um chamado pra ir ao Caminho de Santiago de Compostela.

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