Por jornal meio norte
05/02/2019 17:15:35 | Atualizada em

Jaqueline Lustosa: voz ativa pela causa animal

Quem não conhece Jacqueline Lustosa, a “Jac das Cobras”? A ambientalista fundadora do Instituto Cágado de Barbicha é uma força incessante na proteção da natureza, sobretudo a fauna teresinense. Voz ativa no combate aos avanços urbanos sem a devida preservação ambiental, Jacqueline mostra que não precisa ser homem para domar feras.

Isso porque a turismóloga com especialização em Gestão Ambiental é responsável pela contenção de animais em Teresina. Mesmo com uma experiência de mais de duas décadas, Jacqueline já sofreu machismo no trabalho de salvar vidas. “Já passei por situações de os homens desacreditarem na minha propriedade de contenção de animais como cobras apenas pelo fato de eu ser mulher. Já cheguei com um ajudante em um lugar para resgatar uma cobra e um dos encarregados não me deu atenção, só ao ajudante, por jamais pensar que uma mulher faria o trabalho”, aponta Jacqueline.

Mas a história mudou após Jacqueline, literalmente, pegar o réptil e resgatá-lo com segurança. “O mesmo homem que duvidou de minha capacidade depois reconheceu a importância do meu trabalho e viu que as mulheres também são capazes de tudo. A gente termina quebrando paradigmas na prática”, ressalta a ambientalista.

A ambientalista defende o empoderamento e a unificação das mulheres. “As mulheres são realmente guerreiras apenas por serem mulheres neste mundo machista. Não importa a profissão. Eu luto a favor dos animais, não importa se é silvestre ou doméstico. Gosto de quelônios e répteis, que são mais perigosos e vítimas de preconceito. Nem toda mulher ou homem pega uma cobra ou um jacaré”, analisa.

O importante mesmo é desconstruir o machismo e ocupar os espaços na sociedade, independente do gênero. “Hoje temos muitas mulheres que trabalham em campos diferentes e devem, sim, ser admiradas. Eu comecei aqui em Teresina salvando cobras. Faço isso há 25 anos e luto pela causa dos animais, principalmente os cágados. Salvar estes animais é um sonho não apenas meu, mas de várias outras mulheres que estão comigo no Instituto Cabar”, finaliza Jacqueline Lustosa.

 

Mulheres contra a destruição da fauna

 

O Instituto Cágado de Barbicha atua na região do Parque Lagoas do Norte, zona Norte de Teresina. A região é endêmica do cágado-de-barbicha, réptil que corre sérios riscos de ser extinto na região em razão do descaso do poder público. Na falta de um túnel de passagem, esses animais são atropelados todos os dias na Avenida Boa Esperança.

A Prefeitura de Teresina promete há anos a construção de um túnel, a pedido do Instituto Cabar, para evitar a matança destes animais. No entanto, as promessas ficaram apenas para a segunda fase do projeto Lagoas do Norte. “Até lá talvez a espécie nem exista mais”, lamenta a ambientalista. “É preciso algo urgente que proteja esses animais”, desabafa Jacqueline.

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