Por Jornal Meio Norte
09/01/2019 19:32:15 | Atualizada em

Jéssica Carvalho: muito além da beleza

Ela tem 22 anos, é estudante de medicina, tem engajamento social realizando desde curso de redação para crianças carentes até rodas de conversa sobre prevenção ao suicídio e recentemente conquistou o título nacional de Miss Brasil Mundo. A piauiense Jéssica Carvalho é natural de Parnaíba e apesar da pouca idade já alça voos grandes e se prepara para disputar no Miss World em dezembro desse ano na China.

A Miss Brasil Mundo 2018 levou o primeiro lugar da competição nacional realizada no mês de agosto, em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. Com a conquista, o Piauí leva título pela primeira vez, em 60 anos do concurso. Vale destacar que o concurso Miss World além da beleza, exige também a apresentação de um talento além de um projeto social.

Jéssica Carvalho, iniciou sua carreira de Miss em 2016, quando participou do Miss Piauí Beemotion, na ocasião ficou em segundo lugar perdendo para Monalysa Alcântara, que naquele ano conquistou o Miss Brasil Universo. Este ano foi aclamada Miss Piauí Mundo para representar o estado no concurso nacional devido ao seu histórico de engajamento social.

A piauiense desbancou 47 candidatas no concurso nacional trazendo o título inédito ao Piauí. Jéssica é estudante do 10º período de Medicina sendo bolsista integral em uma faculdade de Teresina e está a frente de um projeto social de prevenção ao suicídio denominado “Vamos Conversar?”, que tem sido apresentado em diversos municípios do Piauí e Maranhão e também mantém uma oficina de redação em Parnaíba.

Filha de dona de casa com um projetista cadista, a parnaibana tem dois irmãos e tem vivido uma rotina intensa de entrevistas e muitas viagens, por conta disso, precisou trancar o curso de medicina, já que sua preparação para o Miss World, que acontecerá em Sanya, China, em 8 de dezembro desse ano. O Miss Mundo é o mais antigo concurso internacional de beleza, criado em 1951 no Reino Unido.

Em entrevista ao Jornal Meio Norte, Jéssica contou como tem sido sua rotina e conta o que pretende para o seu futuro, além de compartilhar seu hobby preferido e o porque da escolha por medicina e qual área pretende se especializar.

Jornal Meio Norte: Qual sua origem e como foi sua chegada em Teresina?

Jéssica Carvalho: Eu nasci em Parnaíba, vivi minha vida inteira lá e nunca tinha viajado e vim a primeira vez em Teresina fazer o vestibular de Medicina, fiz o vestibular não passei, logo em seguida, saiu o resultado do Enem e eu consegui uma bolsa através do Prouni na mesma faculdade e na mesma turma que eu tinha feito o vestibular e vim morar em Teresina com 17 anos. Morei primeiramente na casa de uma tia que era um pouco distante da faculdade, tinha que pegar dois ônibus, era uma família incrível, mas por conta da distância ficava ruim para mim, então comecei a morar dividindo apartamento com outras meninas e hoje moro sozinha. Em Parnaíba sempre estudei como bolsista integral.

JMN: E em que momento surge esse mercado de Miss em sua vida?

JC: Na minha cidade sempre tinha o Miss Parnaíba, mas eu considerava quando enviava uma candidata não existia uma preparação boa e a minha cidade nunca ficava entre as melhores e isso me incomodava e então eu resolvi começar a participar, falei com uma pessoa muito querida e demonstrei meu interesse em concorrer como Miss Parnaíba e ela me apresentou o Marcos Lima e montamos uma pequena equipe e iniciamos nossa premiação, venci o Miss Parnaíba, fui competir o estadual, disputei com Monalysa Alcântara, fiquei em segundo lugar, Monalysa foi para o Miss Brasil Beemotion, venceu e como eu tive esse bom resultado no Miss Piauí, o Luan Castro e o Elton Carvalho, me convidaram para representar o Piauí no Miss Mundo, até porque eles sempre me disseram que era um concurso que era mais condizente com a minha personalidade.

JMN: O Miss World leva em consideração a beleza, mas também o engajamento em causas sociais e como é essa sua dedicação?

JC: Eu já tinha projeto antes mesmo de entrar no mercado de Miss, já tinha um projeto de oficina de redação, onde eu ministro aulas para crianças carentes que eu fazia em Parnaíba durante as minhas férias, sempre que eu tinha férias ia para lá e fazia a oficina. Eu poderia ter levado a oficina de redação para o concurso, mas a gente quis criar um projeto que realmente pudesse mudar a vida das pessoas, que fosse inovador e isso levando em consideração os altos índices no Estado do Piauí de depressão e suicídio, pensamos nesse tema e criamos o 'Vamos Conversar'?, que consiste em tocar em um tema bem delicado. A depressão é uma doença que as pessoas costumam não falar, o suicídio muito menos e esse é um fenômeno que precisa ser falado, tão quanto o câncer, Aids e tantas outras, porque a melhor forma de combater é através da informação. As pessoas não sabem onde buscar ajuda e a gente faz esse trabalho de desmistificar os assuntos e ensinando as pessoas como buscar apoio nessas situações. As rodas de conversas já aconteceram em Teresina, Parnaíba e Timon (MA) com nichos diferentes como crianças, adolescentes, idosos e profissionais de saúde e como ganhei o título nacional agora a procura está sendo também por outros estados. O projeto se expandiu de uma forma que eu fiquei impressionado.

JMN: Como é para você ter conquistado o título e poder realizar esse trabalho de prevenção ao suicídio?

JC: Eu fico muito feliz porque a minha representatividade social cresceu muito eu já tinha minhas causas e agora posso dar poder de voz a essas causas contra a depressão e o suicídio. O meu concurso todos os anos leva para o Miss World que é a luta contra a hanseníase, então agora tenho três causas para apoiar e isso me engrandece e as pessoas veem uma miss como uma pessoa que tem um poder de voz, então quando eu me posiciono a favor ou contra determinado assunto querendo ou não essas pessoas acabam tomando as suas decisões.

JMN: O curso de medicina sempre foi um sonho? Qual a área busca se especializar?

JC: Agora vou ter que trancar o curso por um período, mas a medicina começou na minha vida porque eu comecei a estudar muito no ensino médio e pensei que eu poderia conseguir passar. Eu sou movida a desafios e as pessoas comentavam que a medicina é um curso muito difícil e esse desafio das pessoas dizerem que eu não ia conseguir, me motivou a conseguir, agregado ao fato de que venho de uma família humilde, então toda minha assistência com relação a saúde sempre foi na rede pública e quando eu chegava na rede pública e falava os meus sintomas para o médico, ele não olhava para mim e aquilo me incomodava, eu queria viver aquele momento, mas eu queria ser diferente daquelas pessoas, por isso juntei as duas coisas e me motivei a fazer o vestibular para medicina. Eu pretendo concluir meu curso, pois só faltam dois períodos e seguir residência na área de neurologia.

JMN: Como tem sido sua preparação e de que forma tem administrado seu tempo?

JC: Depois do concurso ficou muito complicado seguir uma rotina porque estou em uma maratona intensa de entrevistas, com o projeto em andamento, quase não estou com tempo de falar com meus pais e meus amigos, mas, na verdade, essa é uma situação muito gostosa, pois temos que viver o momento e é importante aproveitar essa situação para poder mostrar o quanto que esse concurso é importante, porque o Miss World muitas pessoas não conheciam e agora ele está tendo uma visibilidade muito maior. Na minha preparação eu faço aulas de oratória com a psicóloga Renata Bandeira, que é uma pessoa sensacional, que pega no meu pé e isso faz eu ter uma desenvoltura melhor e uma maior capacidade de conversar sem ficar travando. Não estou tendo tempo de ir para academia, mas estou mantendo a dieta e por conta da viagem internacional para Los Angeles (EUA), estou treinando muito a minha conversação em inglês.

JMN: Quais são os seus hobbys e o que gosta de fazer no tempo livre?

JC: Eu gosto de sair com meus amigos para conversar, mas se tem uma coisa que eu gosto mais do que tudo é ficar deitada no meu quarto, com o ar-condicionado ligado e assistindo séries. Essa é a minha melhor programação para relaxar ou até mesmo pegar uma praia. Eu também gosto muito de viajar, conhecer outros lugares.

JMN: Qual seu lugar favorito no Piauí?

JC: O lugar mais especial para mim é Parnaíba porque eu posso ver minha família e também gosto muito de ir na praia do Coqueiro, que para mim é a melhor e a mais bonita do Estado, ganha até de Barra Grande.

JMN: Como é sua preparação para a final do Miss World?

JC: O concurso será responsável por toda parte de pagamento de passagens, guarda-roupa, calçados e hospedagem. Eu vou ficar no eixo São Paulo, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, posteriormente vou viajar para Los Angeles, onde vou participar de um concurso de moda e vou me preparar com uma equipe profissional no mundo Miss e de lá já vou direto para China, onde fico um mês em confinamento e no dia 7 de dezembro vai ser realizado a grande final.

JMN: Independentemente do resultado do concurso, quais seus planos para futuro?

JC: Quando eu voltar para o Brasil já quero retornar pro meu curso para dar continuidade, quero me formar e depois fazer residência em neurologia e depois disso não sei porque a vida é uma caixa de surpresas. Quem sabe eu ganhe o Miss World e seja a segunda brasileira a vencer o mundial e se eu vencer já vai ser algo totalmente diferente do que eu tenho planejado. Já são 60 anos de concurso e nunca uma piauiense tinha ganhado ou chegado tão longe e eu venci e já entrei para história.

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