Por onu.org.br
12/05/2019 17:41:24 | Atualizada em

HIV e violência de gênero

No Oriente Médio e norte da África, existem cerca de 220 mil pessoas soropositivas, segundo o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) . De acordo com o organismo internacional, mulheres vítimas de abuso podem estar mais vulneráveis à infecção pelo vírus da AIDS. Para responder a esse cenário, um projeto criado em 2018 pela agência da ONU dá voz às mulheres que desejem falar sobre os vínculos entre violência de gênero e HIV.

Implementada na Argélia, Egito, Jordânia, Líbano, Marrocos, Sudão e Tunísia, a inciativa LEARN MENA oferece uma plataforma para mulheres compartilharem suas histórias e mapearem evidências sobre quais políticas realmente funcionam para prevenir agressões. Em inglês, a sigla MENA significa Middle East and North Africa — Oriente Médio e Norte da África. O projeto também conscientiza as mulheres sobre as relações entre violência e a epidemia de HIV.

Na região em que nasceu a estratégia, as novas infecções por HIV aumentaram 12% entre 2010 e 2017. No mesmo período, as mortes relacionadas à AIDS aumentaram 11%. O estigma e a discriminação associados ao HIV, assim como os altos níveis de violência baseada em gênero, estão impedindo que vários países façam progressos pelo fim desse problema de saúde pública.

Por meio de diálogos comunitários conduzidos pela associação regional MENA-Rosa, as mulheres estão fortalecendo sua compreensão sobre as causas da violência de gênero, associada muitas vezes a normas e estereótipos sobre o que é ser mulher e o que é ser homem. As conversas enfatizam que a desigualdade de gênero está no centro da violência contra as mulheres e na origem de um maior risco de infecção pelo HIV.

Durante os encontros, algumas participantes contaram que nunca foram à escola. Muitas passaram pela experiência do casamento precoce ou forçado. Mulheres adquirem o HIV em episódios de violência sexual, inclusive dentro do próprio casamento.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de um terço das mulheres em todo o mundo já sofreram alguma forma de agressão ou abuso. Em algumas regiões, mulheres que sofreram violência física ou sexual por um parceiro íntimo têm 1,5 vez mais probabilidade de contrair o HIV do que as que não foram vítimas.

“A violência está em todo lugar. Com o tempo, e à medida que você envelhece, você consegue enxergar isso como normal”, conta uma mulher argelina presente em um dos diálogos.

Quem vai aos eventos descreve múltiplas formas de violência em diferentes contextos, inclusive durante o atendimento em instalações de saúde — o que impede o acesso aos cuidados médicos, incluindo aos serviços de prevenção e tratamento do HIV.

“Os líderes da MENA-Rosa aprenderam através desse processo doloroso que a violência contra nós deveria ser denunciada e não varrida para debaixo do tapete”, afirma Rita Wahab, coordenadora regional do MENA-Rosa.

“O empoderamento ajudará as mulheres em toda sua diversidade a conhecer e entender seus direitos. Nossos defensores vão avançar para expor as ligações entre a violência contra as mulheres e o HIV. A igualdade de gênero começa em casa, cresce na sociedade e floresce no ambiente legal.”

Entre as populações marginalizadas, como profissionais do sexo ou mulheres transexuais, os elevados índices de violência estão associados a taxas mais altas de infecção pelo HIV.

O projeto LEARN MENA levou decisores políticos a se engajar com a construção de respostas comunitárias contra a violência de gênero e pelo fim da epidemia de HIV. O UNAIDS está apoiando os países na implementação das recomendações e planos de ação que foram desenvolvidos a partir do programa.

A iniciativa é implementada pelo UNAIDS, Frontline AIDS e MENA-Rosa, com apoio financeiro da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID). O projeto também recebe suporte técnico adicional do Fundo Salamander.

Conheça as histórias mais inspiradoras de mulheres como você, que conquistaram seu espaço de trabalho, com muita luta e amor pelo que fazem.