Por cinthia lages
16/01/2019 14:11:24 | Atualizada em

De quebradeira de coco a governadora

Filha de trabalhador rural, quebradeira-de-coco, professora de Francês, liderança sindical, bancária, secretária estadual, senadora e governadora! Um perfil rápido mostra a trajetória da piauiense  Maria Regina Sousa (PT), 68 anos de idade, que assumiu interinamente o cargo de chefe do Executivo estadual, em razão de uma viagem internacional do governador Wellington Dias (PT). A transmissão do cargo aconteceu na manhã desta quarta-feira, 17 .  Regina estará no exercício do cargo em meio à disputa pela presidência da Assembleia Legislativa por dois grupos aliados, à reforma administrativa com promessa de cortes significativos e do não anúncio de novos nomes para a gestão de Dias, em seu 4º mandato. Antes de Regina, a advogada e deputada federal eleita Margarete Coelho ocupava o posto de vice-governadora. A escolha de Regina levou Dias a enfrentar a oposição mesmo na base de apoio da sua campanha e o preconceito de parte da população.
"Não me cobrem elegância, me cobrem conteúdo", declarou a então senadora, em resposta às postagens preconceituosas que viralizaram nas redes sociais, após a escolha dela como candidata a vice.  Não foi a primeira vez! Durante o exercício do mandato no Senado, a parlamentar foi atacada pelo "humorista" Danilo Gentili, que, em um tuíte, chamou-a de "tia do café". Depois dele, ela também foi atacada pela blogueira e deputada federal Joice Hasselman (PSL).  
Como presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal, Regina virou alvo dos haters em todo o país. Além das bandeiras defendidas pela parlamentar serem "demonizadas" no país que avançava rumo ao conservadorismo, ela era ainda mais atacada por manter-se simples. Pouca maquiagem, roupas sem grife, sapatilhas baixas, cabelo cacheado rompiam o estereótipo estabelecido no Congresso Nacional. Mas o fato de ser nordestina e piauiense também influenciam. E prefere a naturalidade. Aos que a consideram uma mulher inflexível e pouca avessa ao diálogo, ela costuma afirmar que não teve uma infância com muitos motivos para sorrir.

Aos 10 anos já sabia plantar e colher feijão, milho e fava. Foi quebradeira de coco e vivenciou o drama de exercer essa atividade numa terra que não pertencia à família. Conheceu a expressão  reforma agrária com  tio militante das Ligas Camponesas, através do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de União. Era o início da formação sindical de Regina que, anos mais tarde, ajudou a fundar a Central Única dos Trabalhadores no Piauí, da qual j já foi presidente nacional, e militante sindical desde 1978. Paralela à sua atuação política, graduou-se em Letras com habilitação em Língua Portuguesa e Língua Francesa pela Universidade Federal do Piauí (UFPI). Em  1983 foi contratada pelo Banco do Brasil e seguiu na atividade sindical, quando conheceu o companheiro de chapa,  Wellington Dias .

Presidiu o Partido dos Trabalhadores por seis vezes, coordenou as campanhas de Dias e foi  secretária de Administração em  dois mandatos. Quando Dias deixou o Senado para disputar novamente o governo do Piauí, em 2010, ela era suplente. Assumiu o cargo e no Senado,  promoveu  audiências públicas sobre direitos trabalhistas, terras indígenas e quilombolas, violência contra a mulher e a população LGBT, Previdência Social, combate ao racismo entre outros. É autora de vários projetos tramitando no Senado, dentre eles o que garante mais proteção social a crianças com pai ou mãe encarcerados, permite acervo de livros paradidáticos e de literatura infantil em salas de aula da educação infantil e dos cinco primeiros anos do ensino fundamental e o que garante transporte para mães e filhos recém-nascidos entre o local do parto e a residência, e da residência ao serviço de saúde para complementação de exames. 
Defende o empoderamento das mulheres como fundamental para a mudança política no país.

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