Por Liliane Pedrosa
28/01/2020 16:12:41 | Atualizada em 28/01/2020 16:20:32

Bem-vindo do Japão!

 Catorze horas de voo até Dubai, mais quatro no aeroporto árabe, para enfrentar outras 9 horas de viagem e chegar ao destino final: o aeroporto de Osaka, no Japão. Nem todo o cansaço foi capaz de desanimar. A chegada ao tão sonhado lugar recompensou o esforço. O Japão é encantador, de todas as formas, em todos os aspectos! Difícil não se impressionar.

As ruas sempre limpas de uma organização impecável. Barulho de trânsito quase nenhum. É tudo muito silencioso, mesmo nos lugares onde há intenso movimento de veículos.

Os ônibus funcionam com todo o conforto. As ruas sem nenhuma única ondulação ou buraco faz do trajeto tão suave que você até esquece o veículo que anda. Assim é andar de ônibus no Japão. Ninguém freia bruscamente, não se ouve gritos, nem buzinas. Tudo é feito em uma harmonia impressionante e muito respeito.

Viajei no Shinkansen(trem bala). Nem toda velocidade fora é capaz de abalar a estrutura interna. É possível caminhar no seu interior com a tranquilidade de quem nem de longe sonha o que se passa lá fora. E ao olhar por suas janelas no trajeto entre Quioto e Odawara uma paisagem repleta de campos de arroz se alternam as casas e poucos prédios nas pequenas cidades que se espalham no trajeto dele. Movimento mesmo só nas estações. Uma loucura de gente!

A visita ao supermercado pareceu a ida a uma loja de doces. Senti-me uma criança diante de tanta variedade. É tudo muito lindo, arrumado. Nem um único cisco no chão. E um colorido que enche os olhos e o paladar. As frutas enormes até parecem de mentira, tamanha a perfeição. E por falar nisso, quer comer no Japão? Em muitos lugares há comida exposta com todas as opções do cardápio. Tudo feito em resina e você jura que são de verdade. É para facilitar ao cliente escolher o prato.

Fast food é rápido mesmo. Fiz um pedido de um hambúrguer com batata frita e uma bebida. Ainda estava recebendo o troco e a comida já estava do meu lado. Quanta rapidez! E em todos os lugares que escolhi o que estava no cardápio, recebia com bastante agilidade.

O Japão é um país que olha para o futuro, sem deixar de reverenciar o seu passado. São mais de 170 mil templos budistas e santuários xintoístas espalhados. É realmente um lugar onde você respira espiritualidade. Eles estão por toda parte e se adequam facilmente ao crescimento das cidades, aliás, acho que são elas, na verdade, que se incorporam a essa evolução, tanta é a imponência e beleza. Únicos e encantadores! Em alguns é possível se isolar e sentir profundamente a tranquilidade do lugar. Em outros, o grande movimento de pessoas, mostra o quanto se transformaram em importantes pontos turísticos. Chama a atenção pelos templos a grande presença de grupos de estudantes. Eles estão por toda parte, sempre acompanhados de professores que de megafone orientam cada visita.

O Castelo de Nijo, em Quioto, é considerado pela Unesco, patrimônio mundial. Construído em1603 foi residência dos xoguns(generais que comandavam exércitos no Japão feudal). No seu interior, os tatames e as pinturas em ouro fazem com que as pessoas se sintam em filmes de samurais. Em algumas áreas, há manequins que mostram as roupas da época. E é no Palácio Ninomaru que se encontra o famoso ‘piso rouxinol’, um assoalho que denunciava eventuais invasores, mesmo os sorrateiros (ninjas), por meio de um som, como se fosse um pássaro, a cada pisada do invasor. Experimentei a sensação de pisar nele, o som lembra, realmente, o de um rouxinol. Não é perimitod tirar fotos ou filmar.

Outro passeio interessante é visitar o Templo Todai-Ji que fica no Parque de Nara. Pelas ruas e em todo o parque é grande a quantidade de cervos. São mais de 1 200 cervos shika que andam livremente ao redor do local e são classificados como tesouro nacional. As crianças e os adultos se divertem. Os animais adoram comer os biscoitos que são vendidos em todo parque. O visitante pode alimentar o cervo e é engraçado ver eles bisbilhotando as roupas e bolsas dos turistas a procura de comida. São muito dóceis.
 

O parque abriga o Museu Nacional de Nara e o Todai-ji, onde existe a maior construção de madeira do mundo e abriga uma estátua de Buda que tem 50 metros de altura. Dizem que ela levou três anos para ser construída.

 

 

Solos Sagrados

 

 

Minha ida ao Japão incluía a visita a três lugares, os Solos Sagrados do Japão: o Zuiun-Kyo(Terra Celestial) em Atami, o Shinsen-Kyo(Terra Divina) em Hakone, e o Heian-Kyo(Terra da Tranquilidade) em Kioto. Locais que tem profunda ligação com a espiritualidade. E seu idealizador, o líder espiritual Mokiti Okada, pensava em criar protótipos do paraíso na terra, lugares em que as pessoas esquecessem um pouco o mundo lá fora e se encontrassem com Deus através da natureza, do apreciar o belo. E ele conseguiu! É realmente encantador andar por eles. Como não se encontrar com o divino em lugares como esses de extrema beleza? Em cada um deles, peculiaridades. O belo salta aos olhos e é possível vivenciar experiências únicas. É a vegetação que em cada época do ano se apresenta diferente, os jardins sempre a se comunicar com nossa percepção, o barulho proposital da água localizada próxima casa de chá para que você sinta a harmonia do lugar e sua essência. Em dois deles, do de Hakone e o de Atami, há museus de arte. O Museu de Arte de Atami, o MOA, foi eleito o 5º lugar entre os 20 principais museus de arte do Japão, de 2019. O ranking foi elaborado pelo TripAdvisor, site de viagens que fornece informações e opiniões de conteúdos relacionados ao turismo. Em seu interior há verdadeiros tesouros da cultura japonesa. O Palácio de Cristal, um dos lugares mais visitados próximo ao MOA parece um biombo natural, em que se permite observar a natureza de cima de uma colina repleta de azaleias, na época da primavera. Um convite a contemplar a natureza. Aliás, é o que mais fiz nesses dias no Japão. Dá para entender porque ele é considerado o jardim do mundo.

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